Às vezes eu me esqueço o quanto é emocionante ver uma obra
nascendo, mais ainda quando você pode fazer parte dela. Saber disso nos aumenta
a ânsia de querer experimentar mais e mais. Hoje é um dia livre, nosso dia de
folga, mas não consigo desligar-me dos encontros. Tenho na cabeça imagens de
como tudo começou, nossa chegada no Elgalpon, os olhares trocados com todas
aquelas figuras desconhecidas, porém muito interessantes num misto de
curiosidade, expectativa, dúvida, insegurança, talvez um certo medo do que
estaria por vir. Surpresa boa. Tanta entrega, tanta vontade, quanta disposição.
Mas e agora como compreender a diretora e todas aquelas mulheres na língua
castelhana? Como poderei expressar-me? Dúvidas que aos poucos vão se
resolvendo, se acertando, e a idéia não é essa? Trocar, “cambiar”, aprender...
E de repente chegamos aos ensaios. Foi tudo tão intenso que a
sensação é de que já estamos aqui há mais de um mês, compartilhando gestos que
surgem de um relato pessoal, lágrimas que nascem durante a leitura de cartas
que escrevemos a nós mesmas, frustrações de movimentos, idéias e situações que
não deram certo, gargalhadas de cenas engraçadas, beijos, abraços e corpos
femininos se derretendo com seus vestidos no calor.
Temos pouco tempo e muito o que trabalhar ainda, mas é assim
que nasce a obra, da troca, da entrega, da paciência, desse encontro entre
mulheres que decerto não ocorreria não fosse essa residência. Obrigada!
gracias por esta nota hermosa, la vida es magia pura, paulina
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