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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Algo que escrevi dias atrás...

Já são quase três semanas de trabalho, pesquisa, intensa convivência e entrega. Alguns momentos de tensão, bloqueios criativos e que engraçado, de todas as obras e montagens das quais participei essa foi a única que não tive vontade de desistir em pelo menos algum momento. Por que? Está me completando? Talvez... talvez provoque alguns sentimentos escondidos, sensações esquecidas, momentos deixados de lado. A pesquisa do feminino, os questionamentos que Vancllea nos traz, a dúvida de quem realmente somos, a falta ou a presença do que desejamos ser...
Frases que surgem durante o processo como: "sinto-me mulher quando sou livre", "será que eu fui capaz de destruir todos os seus sonhos?", "eu sou a preferida do papai", "deve ser difícil ser você", "quando você era eu", "quase 34, isso é ser velha?"...
Entre cartas e vestidos, entre vestidos e cartas, entre lembranças e lágrimas... entre mulheres.
Cá entre nós, já dissemos tudo? Não... é claro que não.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Cambio...


Às vezes eu me esqueço o quanto é emocionante ver uma obra nascendo, mais ainda quando você pode fazer parte dela. Saber disso nos aumenta a ânsia de querer experimentar mais e mais. Hoje é um dia livre, nosso dia de folga, mas não consigo desligar-me dos encontros. Tenho na cabeça imagens de como tudo começou, nossa chegada no Elgalpon, os olhares trocados com todas aquelas figuras desconhecidas, porém muito interessantes num misto de curiosidade, expectativa, dúvida, insegurança, talvez um certo medo do que estaria por vir. Surpresa boa. Tanta entrega, tanta vontade, quanta disposição. Mas e agora como compreender a diretora e todas aquelas mulheres na língua castelhana? Como poderei expressar-me? Dúvidas que aos poucos vão se resolvendo, se acertando, e a idéia não é essa? Trocar, “cambiar”, aprender...
E de repente chegamos aos ensaios. Foi tudo tão intenso que a sensação é de que já estamos aqui há mais de um mês, compartilhando gestos que surgem de um relato pessoal, lágrimas que nascem durante a leitura de cartas que escrevemos a nós mesmas, frustrações de movimentos, idéias e situações que não deram certo, gargalhadas de cenas engraçadas, beijos, abraços e corpos femininos se derretendo com seus vestidos no calor.
Temos pouco tempo e muito o que trabalhar ainda, mas é assim que nasce a obra, da troca, da entrega, da paciência, desse encontro entre mulheres que decerto não ocorreria não fosse essa residência. Obrigada!